quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O caminho rotineiro que já se sabe de cor...o entrar em casa pousar as chaves e conhecer todos os cantos "de olhos fechados" é algo comum quando nos referimos à casa onde crescemos e vivemos durante séculos.
Para quem nunca teve outra para além daquela a que todos os dias regressa, a mudança pode tornar-se num desafio. O caminho que faz parte da rotina, muda drasticamente, os vizinhos são outros e a fachada completamente desconhecida, mas de certo apelativa.
O processo de escolha até pode ser complicado e exaustivo, mas nada se compara ao processo de adaptação a um canto novo com coisas novas.
A trama pode ter inicio ao passar a nova porta... O cheiro não corresponde ao acolhimento familiar, nem ao perfume do irmão mais velho, ou ao jantar que a mãe preparou, onde colocar a chave? a mesinha que durante anos a acolheu, já não tem lugar nessa nova vida. Os corredores não têm o mesmo sentido. O quarto não guarda qualquer lembrança passada, não há restos de fita-cola que outrora ergueram caras de paixões platónicas, a cama não guarda os litros de baba que durante anos abundaram naqueles pequenos cm. O quadro de cortiça com recordações dos tempos aéreos dará lugar a um quadro com muito glamour e bom gosto (claro). Todas as recordações que enchiam os cantos e que suscitaram tantas discussões familiares, encontram-se em caixas guardadas numa repartição qualquer. Os moveis deixaram de ser românticos, e passaram a ser descartáveis e de linhas rectas. O dedo da Mãe já não domina o espaço.
É por vezes, a mudança que muitos desejam, pensar num espaço e tê-lo como "nosso"...se é bom ou não ...não sei...mas ao mesmo tempo que em mim nasce alguma curiosidade, esse mesmo sentimento deixa-me nostálgica.

1 comentário:

móz disse...

mudaste de casa? p onde? pk? com kem?